A Secretaria de Mobilidade e Transportes está elaborando uma nova proposta de regulamentação para o Bike SP, programa de incentivo ao uso da bicicleta na cidade, uma das demandas da Câmara Temática da Bicicleta. Em reunião convocada pela CTB, órgão oficial que acompanha as políticas públicas na área junto ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes, o secretário Edson Caram se comprometeu a apresentar a regulamentação – que define, na prática, como a lei será aplicada – na próxima semana. A expectativa é que o Bike SP seja aberto para o cadastramento de usuários ainda neste semestre.

O programa é resultado de lei aprovada em 2016, de autoria do vereador José Police, e prevê o repasse de parte do subsídio que a Prefeitura paga para manter o sistema de ônibus sem cobrar todo o custo da operação no preço da passagem. Quando o usuário cadastrado troca seus deslocamentos de ônibus pela bicicleta, recebe um crédito que pode ser utilizado para alugar uma bike, comprar equipamentos ou usar serviços cadastrados. Assim, o programa remunera quem opta pela bicicleta sem gerar custo extra a para a cidade.

“Para se ter uma ideia, caso o participante do Bike SP faça 75% das viagens mensais de bicicleta, pode ter até por volta de R$ 130 por mês de crédito”, explica o vereador. De acordo com os planos da Prefeitura, trabalhadores usuários de vale-transporte devem ser os primeiros a ser beneficiados pelo programa. Por meio de aplicativos cadastrados, a Prefeitura vai monitorar e validar os trajetos para calcular o valor e depositar o crédito.  “Nessa estimativa de R$ 130 mensais, ao final do ano o crédito pode equivaler a quase um salário”, diz Police, que concedeu entrevista sobre o Bike SP para o programa de rádio CBN São Paulo, apresentado pela jornalista Fabíola Cidral. “Ainda este ano, a meta é cadastrar 35 mil usuários do sistema. O trabalhador ganha saúde, ganha o recurso e ainda contribui para desafogar os ônibus e reduzir a emissão de poluentes.”

No mesmo encontro em que foi discutido o Bike SP, os conselheiros cobraram a manutenção e expansão das ciclovias, além da melhora na integração com outros modais. “A reunião foi muito positiva, conseguimos avançar com diversas pautas e definir os nossos planos de ação”, diz o secretário da CTB, Sasha Hart. “Estamos aguardando para ver os resultados na prática!” Segundo ele, as atitudes da administração municipal em relação às ciclovias estão muito aquém do esperado. “Fazem dois anos que não vemos trabalhos para a manutenção e melhora da conexão das ciclovias. Nessa última reunião foram definidos muitos planos de ação para mudar esse cenário.”

Segundo o cicloativista Anderson Augusto, que também participou da reunião, o secretário Cram e o presidente da CET, Sebastião Ricardo Martins, se mostraram abertos às demandas dos cicloativistas. “Notei que eles já estavam preparados para o tema, inclusive em relação a valores de investimento e em aceitar a bicicleta como meio de transporte, algo que encontrávamos resistência anteriormente”, disse Augusto.

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