A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) divulgou, nesta quinta-feira (23/5), novos dados sobre mortes no trânsito na cidade de São Paulo em 2018. As estatísticas mostram um aumento no número de fatalidades depois de três anos consecutivos de queda. Com 6,95 óbitos a cada 100 mil habitantes, a gestão do prefeito Bruno Covas fica mais distante de alcançar a meta para a redução deste índice, estabelecida em 6.

Segundo o levantamento, o número de mortes de pedestres cresceu. Ao todo, foram 349 fatalidades em 2018 contra 331 no ano anterior, um acréscimo de mais de 5%. Para o vereador Police Neto, as estatísticas poderiam ser outras se o Estatuto do Pedestre, lei aprovada em meados de 2017 que define quem anda a pé como ponto focal da política de mobilidade, já tivesse sua regulamentação. “Essa lei retira da vulnerabilidade os pedestres, que representam um terço dos deslocamentos da cidade, e traz uma série de medidas que acalmariam o tráfego. Somos todos pedestres e o estatuto é um instrumento que o poder público poderia estar usando para combater a violência no trânsito”, afirma Police. Ao todo, o número de acidentes fatais em decorrência de atropelamentos representa 41% do total de mortes.

Na visão do vereador outro fator que tem capacidade de ajudar a reduzir o número de mortes no trânsito é a micromobilidade. “A intermodalidade organizada e integrada aos meios convencionais de transporte já se mostrou muito útil para tornar a locomoção urbana mais eficiente e segura em várias metrópoles”, completa.

Motociclistas são vítimas mais frequentes

Outro dado presente no levantamento diz respeito aos motociclistas, que agora lideram o número de mortos no trânsito paulistano. De 2017 para 2018, as mortes aumentaram de 311 para 366, um crescimento de 17%. Ainda segundo os dados colhidos, houve aumento de 28 para 50 óbitos de motofretistas, o que sugere uma possível influência dos aplicativos de entrega nas estatísticas.

Diante desse cenário, Police – que regularmente dialoga com as empresas de entrega por uma regulação que seja benéfica para a cidade e para a própria iniciativa privada – defende que as empresas realizem estudos que atestem as condições de sua atuação. “Temos o desejo e a expectativa de que nas próximas semanas as empresas iniciem a contratação de pesquisas sobre diversos temas. Se elas querem fazer práticas inovadoras, têm que ser sustentáveis não só para o negócio, mas para todos aqueles que se relacionam com elas”, argumenta.

O vereador, porém, adiantou que já existe um projeto de lei sendo negociado. “Temos um PL piloto que foi oferecido às empresas, mas não publicado porque ainda não dialogamos com aquele que está na ponta, que é o entregador. Queremos usar essa nova energia econômica e financeira das empresas no financiamento dos novos desenhos de vias, para que elas fiquem seguras para os entregadores, para os pedestres e para os motoristas”, revela.

Marginais

Somando-se as marginais Pinheiros e Tietê, a quantidade de vítimas fatais cresceu pelo segundo ano consecutivo, desde que a gestão Doria aumentou o limite de velocidade nas pistas. Embora a Tietê tenha apresentado redução de 20 para 14 óbitos, em um ano, a Pinheiros registrou aumento de 14 para 22 mortes, o que faz dela a via mais fatal de São Paulo.

Dado positivo

Entre os ciclistas, porém, o levantamento foi positivo. A CET registrou diminuição de 37 para 19 falecimentos, comparando 2018 com 2017, respectivamente.

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