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A Hack’n Bike, maratona de desenvolvimento de sistemas realizada no último fim de semana (26 e 27/5), produziu quatro modelos de aplicativos para colocar em prática o Programa Bike SP, lei de incentivo ao uso da bicicleta em São Paulo. Criados com base nas regras pré-determinadas pela Prefeitura, os aplicativos serão apresentados ao secretário de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto, no início de junho. A secretaria já tem pronta uma proposta de regulamentação da lei, e a expectativa é que o programa comece a oferecer créditos aos ciclistas nos próximos meses.

Aprovada em 2016, a lei determina o repasse do chamado “crédito de mobilidade” para quem trocar o carro, ônibus ou outros meios de transporte incluídos no Bilhete Único pela bicicleta para se deslocar em São Paulo, transferindo o valor economizado pelo poder público municipal para o ciclista. O cronograma de implantação prevê que os usuários do Bilhete Único Estudante (que têm passe livre ou pagam meia passagem) sejam os primeiros contemplados. Na fase seguinte, entra quem utiliza Vale Transporte e, depois, demais usuários do Bilhete Único. O crédito de mobilidade será calculado com base no subsídio que a Prefeitura paga por cada viagem no sistema de transporte coletivo, de R$ 2,66, em média.

O melhor aplicativo escolhido pelos jurados foi o Dibike, capaz de comparar rotas e tempo de percurso de bicicleta e transporte público no mesmo sistema, por meio de GPS. Um painel administrativo vai cuidar da validação do crédito. O aplicativo reconhece o Bilhete Único do usuário cadastrado e sincroniza com os dados de registro, indicando se ele está apto a receber os pontos de crédito. O giroscópio do celular (que atesta em que direção o aparelho está se movendo) também fará a autenticação do uso da bike pelos perfis, evitando fraudes no GPS. Por meio do painel administrativo, a Prefeitura poderá identificar se de fato a pessoa está andando de bicicleta.

“A cidade agora já tem a tecnologia necessária para validar as viagens e administrar os créditos”, disse o vereador Police Neto, autor da lei. “Nesse momento de profunda crise de abastecimento, São Paulo estimula uma forma de circular capaz de diminuir sua dependência de tanto de tanto combustível.”

Integrante do júri que escolheu os vencedores, Daniela Swiatek, coordenadora do MobiLab, laboratório de mobilidade da Prefeitura de São Paulo, disse que o que mais pesou em sua decisão foi a segurança do sistema. “Estamos lidando com dinheiro público. Tem que ter muito critério, muita noção técnica de como se faz isso para garantir que o interesse público vai ser respeitado”, afirma ela.

O grupo que criou o Dibike (Marcelo Barbosa, Robson Roberto, Júlio Henrique, Denis Magalhães, Thiago Lima e Marcelo Fernandes) ganhou R$ 8 mil e seis meses de incubação do projeto no Eureka Coworking, com ajuda de custo de R$ 1 mil por mês. O resultado da maratona de desenvolvimento foi tão positivo que o Eureka Coworking ofereceu mais três meses de incubação para as outras equipes, e houve um empate no terceiro lugar, de modo que todos os grupos acabaram premiados. Realizado pela Cidade Viva, incubadora de projetos sociais criada pelo vereador Police Neto, a Hack’n Bike teve patrocínio de Eureka, Yellow, Tembici, Caloi, Serttel, Shimano e apoio de Trunfo, Bike Ajuda e Shawee.io.

O grupo Bimo (Lucas Cândido, Ariadne Mendes, Bruno Bisogni, Marcos Paone, Jéssica Campos e Eduardo Vogel) ficou com o segundo lugar, levando R$ 4 mil. O aplicativo Veri, criado pelo grupo Capiwara (Vitor Luiz Cavalcanti, Milena Cavalcanti, Mateus Cavalcanti, Renan Martins e Marcos Vinícius) e a equipe Mobi Bike (Leandro Ceccato, Joaquim Neto, Guilherme Vieira, Renan Luz e Roberson Miguel) terminaram empatados em terceiro lugar, com prêmio de R$ 1 mil para cada.

Como vai funcionar o Bike SP

O benefício do Bike SP contempla quem usa carro, ônibus, metrô e trem – basta a pessoa adquirir o Bilhete Único e carregar o valor equivalente ao que gastaria na rede de transporte coletivo. O crédito correspondente às viagens de bicicleta fica acumulado para que o usuário gaste como preferir, na rede credenciada, no pagamento de serviços públicos, como contas de água e luz, ou doando para entidades beneficentes cadastradas. A Prefeitura prevê a definição de um percurso mínimo como referência para a concessão do crédito, que será calculado sobre o subsídio (R$ 2,66 por viagem). A distância considerada até o momento é de três quilômetros, mas a quilometragem exata será determinada em portaria, o que permitirá ajustes ao longo da implantação do programa. O dia da semana e horário em que o usuário pedalou em vez de pegar ônibus ou outro modal também será considerado no cálculo. Assim, por exemplo, o crédito pode ser maior em dias úteis e horários de pico para ajudar a desafogar o trânsito paulistano.

O ciclista poderá receber, no máximo, o equivalente a dois créditos por dia, mas sempre serão considerados os deslocamentos com mais impacto positivo para a mobilidade urbana, sendo viagens com início e/ou fim no modal bicicleta.

O Bike SP será operado com duas plataformas, uma que valide as viagens e outra de gerenciamento dos créditos. O objetivo da Hack’n Bike foi justamente propor sistemas para compor essas plataformas, que serão admitidas pela secretaria por meio de credenciamento.

Ouça logo a baixo reportagem da BandNews FM sobre a maratona veiculada no dia 26/5

 

 

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