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A busca da governança e do pleno desenvolvimento da cidadania nos levou a buscar fontes de diagnósticos dos problemas, a um processo mais democrático de formulação de uma agenda e a uma resposta às demandas que equacione de forma adequada o problema para produzir uma regra capaz de solucioná-lo. Mas é aqui que cabe a grande questão essencial que dá ao processo a objetividade necessária para garantir a governança: a resposta produz o resultado esperado?
Paradoxalmente a pergunta mais importante de todas é poucas vezes feita tanto pela sociedade civil como pela sociedade política. Embora a legislação tenha avançado muito no Brasil, em todas as esferas de poder, em termos de garantir instâncias de controle social, o entendimento de controle social, mesmo quando contempla os papéis de gestão e avaliação, tem sido muito limitado a acolher as diversidades e paixões partidárias do que a responder a questão essencial: isto está funcionando?
Muitas vezes não se busca a resposta porque a regra em si não é formulada de maneira a gerar a avaliação, ajuste e prever os resultados desejados. Em parte esta é uma deficiência técnica, mas em parte – e é esta que interessa fundamentalmente para aprimoramento da cidadania – porque o Estado tantos séculos depois do fim do Antigo Regime ainda se considera repositório de sabedoria, autosuficiencia e soberania absoluta. Por fim a própria celeridade imposta ao processo legislativo nas questões mais importantes impedem o adequado amadurecimento da norma para que ela contenha mecanismos que reflitam só si mesma.
Para reverter esta situação é fundamental a clareza sobre o problema que se deseja enfrentar. Isto posto é preciso ser capaz de projetar metas para os resultados esperados. Ainda que nem tudo seja quantificável e passível de objetivação, a maior parte dos problemas pode ser de alguma forma equacionado para permitir a avaliação se a norma está produzindo resultados no sentido esperado ou não.
Assim a inclusão de indicadores capazes de medir os resultados tão objetivamente quanto possível e submeter estes indicadores às instâncias de governança responsáveis pela gestão e avaliação dá à sociedade as condições para começar a responder às perguntas fundamentais e a partir da resposta avaliar as regras, identificar problemas, ineficiências, deseconomias e realizar o aperfeiçoamento constante da regra.
Neste ponto é fundamental introduzir o conceito de transparência, uma vez que uma norma tem em si seus mecanismos de avaliação é possível e desejável que estes resultados estejam disponíveis ao conjunto da sociedade da forma mais acessível quanto possível. Na medida em que isto acontece o conceito de controle social ganha nova amplitude pois a norma e sua aplicação tornam-se passíveis de avaliação não só pelas instâncias existentes de governança, mas por todo e qualquer segmento da sociedade e por cada cidadão, ampliando a geração de diagnósticos, aperfeiçoamentos e detecção de problemas.

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