A plataforma mobile NoFaro, que permite à população fiscalizar obras e gastos públicos e denunciar abusos, venceu esta tarde (17/6) o Hack in Sampa Segunda Temporada, maratona de desenvolvimento de sistemas de prevenção e combate à corrupção realizada na Câmara Municipal de São Paulo. Em ritmo de Copa do Mundo, com o plenário iluminado em verde e azul e cheio de bandeiras do Brasil, 52 desenvolvedores ocuparam as cadeiras dos vereadores trabalhando sem parar por 24 horas, desde a manhã de sábado. Divididos em 13 equipes, criaram sistemas para aumentar a transparência de dados, estimular o engajamento da sociedade na vigilância de despesas e políticas públicas e controlar a aplicação de recursos.

A plataforma NoFaro permite ao usuário visualizar no mapa da cidade obras em andamento, bem como secretarias e entidades públicas, de forma similar ao Foursquare, uma rede social que cruza dados de geolocalização e permite encontrar locais e pessoas. Em vez de dados sobre bares e restaurantes, o usuário do NoFaro tem acesso a informações sobre ações do poder público, como licitações em andamento. A plataforma é gamificada, oferecendo pontuação ao usuário mediante denúncia procedente e indicação de mais usuários, por exemplo. Eduardo Vogel, Renan Luz Barreto, Robson Araújo do Carmo e Marcus Tadeu Paone, integrantes da equipe vencedora, ganharam R$ 10 mil e 6 meses de incubação do projeto no Eureka Coworking, com ajuda de custo mensal de R$ 1 mil. “Foi muito gratificante. Conseguimos atacar a corrupção, a má administração – que às vezes é tão ruim quanto a corrupção – e também trabalhar com o lobby inescrupuloso, que é um dos grandes causadores da corrupção no Brasil”, disse Eduardo Vogel.

Uma realização da Cidade Viva, incubadora de projetos sociais criada pelo vereador Police Neto, da Shawee, startup que fomenta inovação e mudança de mindset dentro de empresas privadas e instituições públicas utilizando o Hackathon como método, e do Eureka Coworking, o Hack in Sampa Segunda Temporada teve patrocínio da Fecomercio SP e do Ibracon, além de apoio da Câmara Municipal de São Paulo e do gabinete do vereador Police Neto.

Em segundo lugar, com prêmio de R$ 5 mil, venceu o sistema PrevineAê, criado por Thales Gibbon, João Vitor Farias Scheuermann, Júlio Henrique dos Santos e Matheus Tadeu Rabelo Querino. Por meio de inclusão de QR CODE nas placas de obras na cidade, o usuário pode visualizar no mapa do aplicativo as obras que estão próximas a ele e verificar a situação do andamento de cada uma, em banco de dados construído a partir das informações oficiais.

Já o grupo Cadê Meu Remédio, de Roberson Miguel dos Santos, Tiago Sepúlveda, Thiago Iser e Guilherme Lima Vieira da Silva, criou um sistema composto por aplicativo mobile e painel administrativo com o objetivo de prevenir o desvio de remédios oferecidos pela rede pública, monitorando as entregas e informando quais medicações estão disponíveis em cada Unidade Básica de Saúde. No caso de remédios em falta, por exemplo, o cidadão pode encontrar a informação de onde a medicação está disponível. A solução tecnológica ficou em terceiro lugar, sendo premiada com R$ 1 mil.

Para Police Neto, a maratona foi um grande sucesso e deve se repetir mais vezes. Seguindo o espírito colaborativo que faz parte da essência do Hack in Sampa, já está prevista uma nova maratona tecnológica, em agosto, na cidade de Mogi das Cruzes. “O setor público tem uma dificuldade muito maior do que o privado para ter acesso e lidar com tecnologia. Aqui unimos essa tecnologia com o engajamento de uma nova geração, que vai nos suceder e desenhar as soluções do amanhã, melhorando a eficácia, eficiência e qualidade dos serviços públicos”, disse Police Neto.

“Esse tipo de ação se torna muito relevante, uma vez que seus participantes sabem que podem melhorar o Brasil por meio das tecnologias desenvolvidas e oferecem o melhor para criar soluções incríveis”, afirmou Rodrigo Terron, CEO e fundador da Shawee. “Nesta edição, em especial, foi muito emocionante ver, em clima de copa, dezenas de familiares assistindo o evento online e interagindo, mandando mensagens de apoio aos participantes. Isso reforça nosso maior objetivo como empresa, que é o de reunir pessoas com propósitos afim de gerar impacto. E com certeza saímos dessa edição impactados com o resultado.

O júri que escolheu os vencedores foi composto por Alecsandro de Souza, assessor do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomercio SP; Antônio Caldeira, economista e advogado, fundador da Isso Ventures; Karen Louise Kahn, procuradora-geral da República; Laura Amando de Barros, procuradora e ex-controladora-geral do município; Laura Diniz, jornalista e sócia fundadora da startup de jornalismo Jota; Marcelo Issa, cientista político e advogado, fundador da Transparência Partidária; Raphael Mielle, head de investimentos da Kick Ventures; e Roberto Livianu, promotor de Justiça em São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

 

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