A decisão sobre o local que deve abrigar a nova Ceagesp, prevista para a semana passada, foi adiada mais uma vez. O governo paulista agora calcula que o projeto vencedor do edital sobre o entreposto, lançado em outubro de 2017, será anunciado até o fim do ano. Os presidentes do Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sincaesp), Cláudio Furquim, e da Associação dos Permissionários do Entreposto de São Paulo (APESP), Onivaldo Comim, participaram nesta sexta-feira (20/07) de reunião com o governador Márcio França e o secretário de Governo, Saulo de Castro.

Há mais de uma década, o vereador Police Neto defende a criação do novo entreposto em Perus, na Zona Norte da capital. O entreposto já era previsto no projeto de lei que cria o Plano de Bairro de Perus. A expectativa é que o empreendimento privado na região poderia gerar cerca de 30 mil empregos. “Perus é a melhor opção. Com planejamento e adequação da infraestrutura do bairro, a cidade ganha, não apenas a região”, disse Police Neto.

Durante a última semana, em nota e artigo publicados na imprensa, os representantes dos permissionários da Ceagesp reclamaram do “descaso” do governo estadual. Segundo eles, o “inexplicável descumprimento do prazo” para anunciar o vencedor tem gerado “um amargo resultado”: “insegurança para o abastecimento da população, permissionários, feirantes e varejistas”.
Também por meio de nota, o governo rebateu as críticas, alegando que a responsabilidade pela Ceagesp é do governo federal, e não cabe ao Estado decidir sobre a transferência do atual entreposto. Após a reunião desta sexta-feira com Furquim e Comim, França alegou que o objetivo do edital referia-se a um ou mais novos entrepostos, em qualquer cidade de São Paulo. Os quatro projetos inscritos no edital foram discutidos no encontro. Dois deles estão localizados em Perus; um terceiro fica num terreno em Carapicuíba e o quarto, em Santana do Parnaíba. Apenas um dos terrenos é de propriedade do grupo responsável pela proposta – o do NESP, em Perus -, os outros três teriam de ser desapropriados, em processos com intermediação do Estado, que seria indenizado posteriormente pelos empresários responsáveis.

Os projetos estão sendo analisados por uma comissão técnica composta por representantes do governo federal (Ministério da Agricultura e Ceagesp), governo estadual e Prefeitura de São Paulo.
“Todos são boas ideias, mas nenhum (projeto) está pronto, completo”, disse o governador. “Todos dependem de (vias de) acesso que o governo tem de fazer.” Dentro de um mês, segundo o secretário Saulo de Castro, a Secretaria de Transportes deve se manifestar sobre a possibilidade de garantir o acesso em cada projeto (com estudos, por exemplo, de impacto de fluxo nas rodovias atingidas). Os consórcios e empresários responsáveis pelos projetos também terão de se pronunciar sobre como poderiam compensar o governo pelas obras em tais acessos e sobre qual valor seria cobrado para a operação dos permissionários em cada proposta. Só então a comissão técnica deve atribuir notas aos projetos e se manifestar sobre o melhor.

França admitiu ter recebido uma quinta proposta – não inscrita no edital – de permissionários interessados em “revitalizar” a Ceagesp, mas reiterou que tal decisão cabe ao governo federal. “A razão de estarmos hoje aqui é pedir que o governo dê celeridade a todo esse processo”, disse Furquim. “Aquilo que compete à União, que ela o faça, o Estado está fazendo através do chamamento. Mas essa indefinição tem provocado, sim, uma instabilidade entre os permissionários.”

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