A primeira professora que houve nestas terras, Branca Dias, no início do século XVI, foi condenada pela Inquisição. Este fato histórico nos leva a refletir sobre como e quanto o problema que se pretende discutir nos projetos atrelados à Escola Sem Partido não é novo.

Nas décadas de 1960 e 70, a República Popular da China viveu o terror da chamada “Revolução Cultural”, imensa caça às bruxas voltada a destruir todo o pensamento crítico, influência ocidental e contestação ao regime comunista. Um dos elementos essenciais deste processo foi a mobilização dos estudantes para denunciar, humilhar e castigar – inclusive com agressões físicas – seus professores, destruindo tradição milenar de respeito aos mestres e ao conhecimento.

A educação brasileira tem muitos problemas. Ainda não conseguiu superar o desafio da universalização com um padrão necessário de qualidade, nem foi capaz de trazer para a sua realidade as inovações tecnológicas que mudam a face do mundo. Também não conseguiu  estabelecer uma taxa de conversão satisfatória entre os recursos investidos e os ganhos necessários quanto aos indicadores que se deseja melhorar.

Não se trata de negar a existência do problema do abuso da cátedra para influenciar alunos – para um lado ou para outro, não só em termos de opções políticas como religiosas, econômicas ou mesmo pessoais. Mas a forma de tratar destas questões não é reproduzir a desastrosa experiência chinesa de Revolução Cultural, acabando com a autoridade do professor em sala de aula, colocando opiniões sem qualquer fundamentação na mesma altura do conhecimento produzido de forma científica.

A rede de educação tem um sistema de instâncias institucionais de controle social e acadêmico para lidar com a questão. Existem Conselhos de Escola, Grêmios Livres na escola, Conselhos de Educação e fóruns institucionais para discutir o conteúdo, como o que produziu o currículo comum para os próximos anos. Há, sobretudo, uma série de avaliações externas – fundamentais como indicadores – que apontam o atendimento ao currículo.

Precisamos, sim, de mais atenção. Temos de revitalizar estes canais de discussão na sociedade, em especial entre alunos e família e os educadores, gestores do sistema de educação e a sociedade política? Certamente precisamos.

O que não precisamos é de um debate histérico sobre a polêmica, nem perseguição a professores erodindo sua autoridade. Também não precisamos de desculpas para que alunos indisciplinados vinguem-se de seus professores, famílias defendendo seus filhos transgressores e atacando profissionais preparados e idôneos.

É inaceitável discutir uma questão tão séria como currículos com o nível de uma conversa de botequim. São assuntos profundos, que precisam de uma abordagem fundada no conhecimento, não na opinião. Embasada em fatos, não em boatos.

Mostrando 3 comentários
  • Aparecida Eva kirst
    Responder

    Parabéns o Brasil precisa mudar e essa mudança tem que começar dentro da sala de aula

  • Renato Gomes Dantas de Andrade
    Responder

    Falou e disse,Netão!!! Boas festas e um super 2019!!!

  • Emerson Olho
    Responder

    Caro, Neto, compartilho das ideias acima e assim como houve a discussão da educação religiosa, tudo tem que ser fundamentado no contexto histórico por um profissional qualificado para isto.

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