Estudo inédito sobre o impacto social do uso da bicicleta na cidade de São Paulo divulgado nesta quinta-feira (10/5) é a prova de que as políticas de incentivo a esse meio de transporte, como o Programa Bike SP, precisam avançar. Pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a pedido do Itaú Unibanco, indica que a expansão do uso da bicicleta poderia acrescentar até R$ 870 milhões ao PIB municipal. Mas os efeitos positivos não aparecem apenas na Economia: são relevantes no Meio Ambiente e na Saúde, com uma redução de 18% nas emissões de dióxido de carbono com transporte e economia de 13% (R$ 34 milhões) por ano no Sistema Único de Saúde com internações por doenças cardiovasculares e diabetes.

Lei do vereador Police Neto aprovada em 2016, o Bike SP aguarda regulamentação da Prefeitura. O programa prevê a transferência de parte do subsídio público destinado ao sistema de transporte coletivo para cada usuário que trocar o ônibus e o carro pela bicicleta em seus deslocamentos diários. Nos dias 26 e 27 de maio, hackers e desenvolvedores vão se reunir numa maratona para sugerir sistemas de gerenciamento e controle para o programa.

A pesquisa do Cebrap ouviu 1,1 mil pessoas de todas as regiões da cidade, ciclistas e não-ciclistas. “Se planejadores urbanos, políticos, estudantes ou mesmo a população têm dificuldade de entender por que é importante incentivar o uso da bicicleta em São Paulo ou em qualquer grande cidade, este estudo contribui com algumas respostas”, diz Carlos Torres Freire, coordenador do Cebrap, responsável pela pesquisa.
“O estudo representa uma ferramenta importante para evidenciar o poder de transformação que a bicicleta pode ter nas cidades”, afirma Luciana Nicola, Superintendente de Relações Governamentais e Institucionais do Itaú Unibanco.
O banco mantém 8,3 mil bicicletas em sistemas de bike sharing na capital paulista e diversos municípios.

Meio Ambiente
Para mensurar os impactos ambientais, os pesquisadores do Cebrap identificaram os deslocamentos realizados por automóveis e ônibus que poderiam ser substituídos por bicicleta, considerando como ‘viagens pedaláveis’ aquelas com até 8 quilômetros de distância realizadas entre 6h e 20h por pessoas com até 50 anos de idade.
Desse modo, 31% das viagens de ônibus poderiam ser pedaladas, levando a uma diminuição de 8% do CO2 emitido por este meio de transporte. Considerando-se os deslocamentos realizados de automóvel, até 43% deles poderiam ser realizados de bicicleta, gerando um potencial de economia de 10% das emissões. Logo, se o potencial ciclável fosse atingido, poderíamos ter uma redução de até 18% da emissão de CO2 originárias dos transportes de pessoas na cidade de São Paulo.
A partir da análise, estima-se que os ciclistas de São Paulo são responsáveis, atualmente, por uma redução de 3% de todo o CO2 emitido com transporte de passageiros na cidade.

Saúde
Na perspectiva individual dos impactos na saúde, o estudo comparou os perfis de atividade física da população de São Paulo em geral e de ciclistas, com a hipótese de que o segundo grupo seria mais ativo. A proporção de indivíduos regularmente ativos entre ciclistas é quase três vezes maior que a da população em geral. No que diz respeito à dimensão social, partiu-se da ideia de inatividade física como fator de risco associado a doenças, projetando a potencial economia de recursos no sistema de saúde caso a população de São Paulo adotasse um perfil de atividade física semelhante ao dos ciclistas.

Concluiu-se, então, por um lado, que o uso da bicicleta para os deslocamentos cotidianos propicia aos indivíduos uma redução nas chances de adquirir uma série de doenças. Por outro, traz um benefício social de economia no sistema de saúde que favorece a sociedade.

Os pesquisadores projetam que, caso a população aderisse ao perfil de atividade física dos ciclistas, a redução da chance de ter diabetes ou doenças do aparelho circulatório, em função de um maior nível de atividade física, levaria a uma redução de gastos no Sistema Único de Saúde (SUS) com a internação em virtude dessas doenças. O impacto estimado poderia gerar mais de R$ 34 milhões em economia somente na cidade de São Paulo.

Economia
Na economia, a pesquisa projeta o potencial aumento do PIB municipal levando em consideração o ganho de tempo no deslocamento. Parte-se da premissa de que deslocamentos mais rápidos geram maior produtividade, impactando o PIB. Se o potencial ciclável das viagens realizadas de automóvel e ônibus em SP fosse aproveitado, haveria um acréscimo de aproximadamente R$ 870 milhões no PIB municipal por ano.

Com base nas informações detalhadas de gastos mensais dos indivíduos, o estudo calculou o peso do item transporte na renda mensal pessoal. A partir daí, os pesquisadores estimaram quanto os indivíduos poderiam economizar caso utilizassem a bicicleta nas viagens pedaláveis em dias úteis. O impacto seria maior nas classes mais baixas, com diminuição de 14 p.p na renda mensal pessoal (R$ 214 de economia, em média).

Hábitos da população
A pesquisa mostra ainda que, embora o potencial de impacto do uso da bicicleta em relação a meio ambiente, economia e saúde seja significativo, metade da população da cidade não demonstra nenhuma disposição de adotá-la como um meio de transporte cotidiano. Por outro lado, 31% da população estaria disposta a usar a bicicleta em seus deslocamentos cotidianos.
As pessoas que responderam que estariam dispostas a aderir ao uso de bicicleta apontaram melhorias na infraestrutura cicloviária (31%) e maior estímulo à atividade física (30%) como principais fatores que as levariam a mudar de hábito.
Já aqueles que responderam ter pouca ou nenhuma disposição para adotar a bicicleta como meio de transporte apontaram como motivos o fato de não gostarem ou terem medo (51%).
Mais de 70% dos ciclistas da cidade passaram a utilizar a bicicleta como meio de transporte há mais de três anos. A principal motivação para começar a pedalar é o tempo de deslocamento – ou seja, pessoas que consideravam que seu tempo de deslocamento era muito longo da forma como estava sendo feito.

Confira aqui a apresentação dos principais dados da pesquisa.

Veja também a íntegra do estudo.

Comentários
  • Márcia Moraes Dino de Almeida
    Responder

    As bikes “pegaram”, os caminhantes se multiplicaram. Agora se faz necessário uma ampla ação para disciplinar ambos, para a convivência ser segura e pacífica para todos.
    De uma vez por todas, CICLISTAS NÃO PODEM TRAFEGAR MONTADOS SOBRE CALÇADAS E FAIXAS;
    PEDESTRES NÃO DEVEM ATRAVESSAR FORA DAS FAIXAS;
    CICLISTAS NÃO PODEM TRAFEGAR NA CONTRA MÃO;
    CICLISTAS E PEDESTRES DEVEM RESPEITAR FARÓIS E SINALIZAÇÃO DE TRANSITO SEMPRE, SEM EXCEÇÕES.

    É assim em todo o mundo civilizado que faz uso de vários modais de mobilidade.

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